Nada é mais assustador que um palhaço frustrado

coringaCoringa testemunha que a loucura e a sanidade estão presentes no ser humano. Não adianta fugir, ficar com medo ou pedir socorro! Uma hora perdemos a força e paramos de lutar; ela chega de mansinho, domina nossos sentidos e paralisa nossa mente.

Uma palhaço um tanto engraçado, tentando entreter a platéia, distribuindo sorrisos, deixando de lado a sua dor, buscando o olhar solidário que não existe naqueles rostos, egoístas e mesquinhos.

A loucura o persegue, como vilã de filme de terror; ele sente um arrepio, seus olhos começam a lacrimejar e ao mesmo tempo um desejo inexplicável de segui-la; esquecer a dor, a frustração e o abandono. Ele procura buscar momentos felizes, aplausos e não encontra nada, tenta manter a sanidade. Porém, se entrega, a loucura é doce e prazerosa. O palhaço esquece o palco e aceita o papel de antagonista.

Como no jogo de cartas, o Coringa consegue se infiltrar em todos os lugares e pessoas, trazendo prejuízo e confundindo as cartas. Sua maquiagem esconde as imperfeições e disfarça suas fraquezas. A risada muitas vezes e usada como cortina de fumaça para acobertar diversos crimes. Somente o olhar transmite o vazio que assola nossos pesadelos.coringa2Ele vai em busca de vingança. “Quantas tentativas foram desperdiçadas pela platéia? Nenhum aplauso? Nenhum sorriso? Why so serious?” Não existem mais saída, ele se entregou e de palhaço virou Coringa, a personificação do mal, do terror, do desespero. Com seu sorriso sínico e irreverência, ele se mantém vivo até hoje.

“Como esse personagem consegue dominar todos que o interpretam? Será que Jared Leto se entregou ao personagem?”

Não existe uma resposta certa nesse caso, a verdade é que o Coringa deixa de ser um arquétipo e passa a fazer parte do dia-a-dia de quem o interpreta. A diferença entre o ator é o expectador é o convívio, todos possuem a loucura, porém poucos têm coragem de aceita-la. Aos que aceitam chamamos de intérpretes, por que assumir a sua existência seria um risco para humanidade.

Se não fosse o fascínio criado pelo público, Stephen King, Pedro Almodóvar, Antonin Artaud e Alfred Hitchcock morreriam nas grades de um hospício. O mais assustador nesse assunto é saber que sim, a insanidade faz parte de nós, temos duas escolhas: transformá-la em arte ou viver amedrontados.

MK

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