Bacurau: O premiado faroeste brasileiro sobre um povoado fora do mapa

maxresdefault.jpgEm um futuro próximo, um povoado no sertão de Pernambuco desaparece do mapa e enfrenta acontecimentos estranhos, como todos perdendo o sinal nos aparelhos de celular e assassinatos inexplicáveis. Esse é “Bacurau”, dirigido e escrito por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. O filme já participou de inúmeros festivais pelo mundo e conquistou prêmios, como: Prêmio do Júri, em Cannes; Melhor Filme, Melhor Direção e Prêmio da Crítica Internacional, no Festival de Cine de Lima; e Melhor Filme, no Festival de Cinema de Munique.

O roteiro é bem construído do começo ao fim, ao mesmo tempo em que é equilibrado e tem um ritmo acertado. Mendonça Filho e Dornelles somam de forma natural os problemas enfrentados pelos habitantes de Bacurau enquanto cidade do interior do Brasil, como falta d’água e de medicamentos, aos mistérios rondando o povoado. O elenco possui um ótimo desempenho, entre os atores estão: Sônia Braga, Udo Kier, Bárbara Colen, Thomás Aquino, Silvero Pereira, Wilson Rabelo, Carlos Francisco e Karine Teles. Braga e Kier são brilhantes em suas atuações.

Os diretores conseguiram mostrar como a comunidade representada em “Bacurau” contorna as dificuldades em parceria na ausência de um governante realmente preocupando com as necessidades da população. Para “mostrar serviço”, o prefeito entrega caixões e cestas básicas com mantimentos fora do prazo de validade, assim como despeja mil livros velhos de um caminhão na calçada da escola. Não é difícil imaginar esse comportamento acontecendo de verdade.

Dessa maneira, diante das ameaças, eles precisam se unir e se defenderem sozinhos. Com uma fotografia bem trabalhada por Pedro Sotero, “Bacurau” tem um visual incrível, capaz de traçar uma identidade para o longa e seguir com ela até o final. Todos os elementos cinematográficos são impecáveis, incluindo a utilização dos planos, a escolha da trilha sonora e a montagem. A qualidade da obra passa por cada parte, fazendo por merecer os prêmios que ganhou.A narrativa mistura com perfeição comédia, suspense, características de filmes de faroeste e bastante sangue. Nenhum componente sobrepõe o outro, ou seja, todos aparecem na mesma medida.

Mesmo sendo uma obra ficcional, “Bacurau” aponta acertadamente circunstâncias bem reais do interior do Brasil. O longa é uma prova de que o cinema nacional tem muito potencial e precisa ter mais notoriedade. A participação em festivais internacionais e ainda ganhar prêmios importantíssimos realça a genialidade da dupla de diretores. Ao tentar resumir “Bacurau” em uma palavra, é possível pensar apenas em “incrível”.

MK
Bruna Nunes

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